Páginas

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Julgamento severo

Em El Aiun, essa noite, muitos saharauis foram julgados e condenados a prisão, a lista foi divulgada por Ibrahim:

aziz barai : 3 años
kamal etraieh:3 años
elmahjoub awlad cheikh: 3 años
manolo mohamed: 3 años
hasana eluali: 3 años
anour esadat elhmaid: 3 años
omar eljazari: 3 años
eluali hmayada: 1 año y 6 meses
sidati dlaimi: 1 año
khalid amim: 1 año
barikalah dalbouh: 1 año
mohamed echrif enasri : 1 año
balla ali salem: 1 año
elhaj ehmaida: 1 año
bousaif aamar: 1 año

Como bem disse Alipio Freire: o pau de arara ainda vive, infelizmente!!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cia Auto-retrato Relato sobre a ação da Guarda Civil Metropolitana, em conjunto com a Subprefeitura da Sé

Esse mail recebi de uma companhia amiga, do período da faculdade, pessoas que conheço e acima de tudo acredito. Estão fazendo uma faxina um pouco errada no mundo. Segue pra todos, incluindo o link para o vídeo no youtube.
Que lugar é esse que vivemos sobre o medo do outro? Um morador de rua assusta tanto assim as "otoridade" dessa cidade?  

Nós, integrantes do grupo de teatro Companhia Auto-Retrato, presenciamos às 10hs da manhã do dia 12 de abril de 2012, na Praça da Sé, um conjunto formado por Guardas Civis Metropolitanos (GCM) e funcionários da Subprefeitura da Sé promovendo a apreensão de objetos pessoais de algumas das pessoas que ali estavam: sacos, sacolas, bolsas, roupas. Aparentemente, o critério para a tomada dos objetos, das mãos de seus donos, era o fato destes pertencerem a pessoas que supostamente não têm residência.

Diante da resistência por parte dos donos dos objetos, houve resposta truculenta da GCM, que deu continuidade à ação ao lado de uma equipe uniformizada da Subprefeitura da Sé, munida de luvas e máscaras.

Quando questionado por um dos integrantes da Companhia, o comandante da ação, que se apresentou como Sérgio, alegou que o procedimento fazia parte de um contexto maior de ações coordenadas pela prefeitura, e citou o exemplo da Polícia Militar, que estava encarregada de retirar os objetos guardados nas bocas de lobo, dentro de um processo de “limpeza da cidade”. Reiteramos que testemunhamos objetos sendo retirados sobretudo das mãos das pessoas, e não apenas objetos dispostos no chão ou dentro de bueiros. Nos parece claro que a questão não se refere à limpeza física dos bueiros ou do passeio público, e sim a um processo consciente de gentrificação. À resposta evasiva do comandante, somou-se sua orientação para que procurássemos a Subprefeitura da Sé para esclarecimentos sobre o decreto que estabelece esse procedimento.

Em menos de dez minutos, dois caminhões foram plenamente abastecidos com objetos pessoais. Mesmo sob protestos de moradores de rua e demais munícipes que, de passagem, se mostravam abismados com a natureza e com a violência da ação, os funcionários da Subprefeitura e da GCM não nos informaram com precisão qual seria o destino dos objetos apreendidos. A resposta foi, mais uma vez, evasiva.
Na conversa que tivemos com os Guardas Civis e com pessoas que estavam na praça fomos informados de que essa ação acontece frequentemente, em dias e horários alternados, em vários espaços públicos do centro da cidade de São Pa ulo.

Dois dos integrantes da Companhia, seguindo as orientações da GCM, foram à Subprefeitura da Sé. Conduzidos por diversos setores diferentes, obtiveram a informação de que o responsável pelo procedimento não se encontrava no prédio. Eles chegaram, então, à assessoria jurídica, onde foram informados da existência do Decreto 50448, de 2009, que define como função das Subprefeituras e da GCM garantir a possibilidade de livre circulação no espaço público e fornecer assistência social (esse decreto e suas posteriores alterações estão disponíveis na internet: 

http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=26022009D%20504480000)[1].

O procedimento correto, segundo o assessor jurídico, seria o encaminhamento dos moradores de rua para abrigos e, seus pertences, guardados em embalagens lacradas – cujos contralacres seriam entregues aos proprietários, para que pudessem retirá-los no lugar onde fossem armazenados.

Independentemente da discussão que se pode fazer a respeito do teor do decreto, o que testemunhamos claramente não corresponde ao seu conteúdo. Os objetos pessoais eram simplesmente jogados nos caminhões e não eram dadas, aos seus donos, informações de se e como eles poderiam ser recuperados. A opinião geral de quem acompanhou a ação era de que tudo aquilo seria jogado em algum lixão.

Nós, da Companhia Auto-Retrato, acreditamos que essa ação corresponde a uma grave violação aos direitos dos cidadãos anônimos que estavam na praça, que tiveram seus bens confiscados sem qualquer justificativa nem possibilidade de defesa. Tão inquietante quanto isso é a questão que fica: que critérios serviram de fundamento para a escolha das pessoas que tiveram seus bens confiscados?

Companhia Auto-Retrato

Segue o link para o vídeo:

domingo, 15 de abril de 2012

Ultimas notícias recebidas da Jaima Sahrawi

Indirettamente, Ban Ki-moon accusa il Marocco di spiare l’ONU nel Sahara
di Luca Pistone. Scritto il 14 apr 2012 alle 11:00.

Il segretario generale delle Nazioni Unite, Ban Ki-moon, accusa il Marocco di spiare la Minurso, il contingente delle Nazioni Unite nel Sahara Occidentale, la cui missione si trova a fronteggiare sempre più ostacoli.

Nel rapporto di 28 pagine inviato al Consiglio di Sicurezza dell’ONU -che il 30 aprile prorogherà il mandato dei caschi blu- Ban afferma che “ci sono indizi che fanno pensare che la riservatezza delle comunicazioni tra la sede del Minurso (ad El Aaiún) e New York, risulti compromessa in almeno un’occasione”. Non menziona il Marocco, ma fonti diplomatiche non dubitano che alluda al paese nordafricano.

Ban lamenta inoltre che l’accesso della Minurso alla popolazione locale “è controllato” dal Marocco. “Parallelamente, la presenza della polizia marocchina al di fuori del complesso residenziale (dell’ONU) scoraggia i visitatori ad avvicinarsi alla missione”.

Il contingente, continua il funzionario, “è incapace di esercitare appieno i suoi compiti di controllo, monitoraggio e informazione della pacificazione”. Chiede, tra l’altro, che la missione venga rafforzata con 15 osservatori militari da affiancare ai 230 membri della Minurso.

Nella bozza diffusa il 6 aprile, tra gli obiettivi della Minurso, figurava “l’attuazione del referendum sull’autodeterminazione” che rivendica il Fronte Polisario. L’ultima versione, pubblicata l’11 aprile, menziona solo “l’applicazione delle successive risoluzioni del Consiglio di Sicurezza”. Da notare che la sigla Minurso sta per The United Nations Mission for the Referendum in Western Sahara.

Il rapporto non include un’altra antica aspirazione del Polisario, sostenuta da Amnesty International e Human Rigts Watch: una vigilanza ONU sui diritti umani nel Sahara, come fanno altri contingenti di pace in altre parti del mondo.

Ciononostante, Ahmed Boujari, rappresentante del Polisario all’ONU, definisce il rapporto “un’evoluzione positiva”. Si dice soddisfatto delle recenti dichiarazioni di Ban, secondo cui, la Minurso, per poter adempiere al suo mandato, deve “aver accesso ad informazioni affidabili e credibili”, cosa di cui oggi non dispone. Ottenute tali informazioni, sostiene Ban, si avrebbe “un libero accesso al territorio Saharawi di diplomatici, giornalisti e organizzazioni di diritti umani”.

Da cinque anni Marocco e Polisario intrattengono riunioni informali, alle quali presenziano delegazioni algerine e mauritane. Ban ricorda come questi appuntamenti non abbiano condotto a “progressi reali”.

Il ministro degli Affari Esteri del Marocco non ha ancora commentato il rapporto, di cui conosce il contenuto dagli inizi del mese, facendo parte il suo paese del Consiglio di Sicurezza dell’ONU.

Ban chiede, infine, la liberazione dei cooperanti spagnoli, Enric Gonyalons e Ainhoa Fernández, e dell’italiana Rossella Urru, sequestrati lo scorso ottobre in una zona sotto il controllo del Polisario.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Edgar Morin e nossa pesquisa....

Hoje, fui surpreendida, durante uma reunião do Matula, por esse texto incrível do Edgar Morin, que a Alice Possani (diretora do espetáculo Exílius) trouxe para as companheiras Matulas e para o nosso espetáculo:


"Devemos resistir àquilo que separa, desintegra e distancia, mesmo sabendo que a separação, a desintegração e o distanciamento ganharão a partida. A resistência é o que ajuda estas forças fracas, o que defende o frágil, o perecível, o emergente, o belo, o verdadeiro, a alma. É o que pode abrir uma fenda no Plexiglas da indiferença, para sorrir e consolar os prantos. Sorrir, rir, fazer piada, brincar, acariciar e abraçar; tudo isso é também resistir.
Resistir, resistir em primeiro lugar a nós mesmos, a nossa indiferença e a nossa desatenção, a nossa preguiça e ao nosso desânimo, a nossas vis pulsões e mesquinhas obsessões. Resistir por/para/com amizade, caridade, piedade, compaixão, ternura e bondade. A resistência à crueldade do mundo deve tentar manter a união na separação, tentar unir o que está solto deixando-o livre, suscitar o arrependimento concedendo o perdão.
(...)
A busca do esforço cósmico desesperado que, no ser humano, toma a forma de uma resistência à crueldade do mundo é o que eu chamaria de esperança."

(Edgar Morin)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Cheia de clichês

Acordei cheia de clichês.

Com vontade de escrever depois de tanto tempo!

Quando digo que o Exílius às vezes de exila de mim, estou mentindo.
Continuo exilada em algum lugar aqui dentro, bem dentro, buscando respostas para coisas que não têm respostas, simplesmente por que nossa evolução não nos permite acreditar que pode ser diferente ou pelo menos visualizar algo diferente.

Admiramos lideres distantes, admiramos o dinheiro, mas não admiramos o simbólico, o pequeno. Acreditamos nas grandes potencias mundias, no poder Norte Americanóide, mas não acreditamos em nossa própria mudança, interna, pequena e, também, não deixamos o outro mudar quando damos a ele um título, um caráter, um nome. Tornamos o outro e a nós mesmos seres imutáveis, classificamos e pronto. Como se não fossemos muitas coisas dentro de nós. Como se não fossemos múltiplos, complexos. Fixamos o mundo e a nós mesmos.

Só não compreendo o que veio primeiro: se a fixação do mundo interno ou do mundo externo.

No processo do novo espetáculo Circo K, esse pensamento tem ficado aflorado: talvez a organicidade de uma personagem seja justamente sua multiplicidade, as facetas escondidas. Por que na vida somos assim: amorosos e ciumentos; corajosos e covardes; compreensíveis e intolerantes... tudo depende do fato, do instante, das pessoas que estão ao redor.

Por que então, é tão difícil no cotidiano aceitarmos o diferente? O amor diferente, a decisão diferente?
Por que acreditamos no modelinho de pessoas bem-sucedidas nos seus carrões importados e nas suas casas propaganda de margarina? Ou, de pessoas bem humoradas, fortes? Por que é feio ser fraco?

Por que criamos o mundo do perigo?
O mundo muçulmano, segundo a visão de muitos ocidentais é perigoso, assim como já foram os russos, assim como em breve pode ser o Brasil, já que andam dizendo por aí que estamos nos tornando potência: o BRIC!

O mendigo, morador de rua, sujo é muito perigoso. O usuário de droga é criminoso. O portador de deficiências é incompleto, é ineficiente. O negro não pode possuir cargo alto, de reconhecimento, ou pensamento expressivo diferente da maioria, porque normalmente não tem escolaridade pra isso (exceto se for o presidente dos EUA, mas ele tem alma branca e consciência politica elevada – juro que ouvi isso!). É melhor e mais seguro as mulheres não receberem mais que os homens, é vergonhoso para eles.

Assim continuo no meu clichê de menina nervosinha e revolucionária da classe média, branquela querendo acreditar numa possível visão da diferença.

É acho que eu acordei cheia de clichês.

Na verdade, eu tinha acordado com vontade de fazer uma declaração de amor, mas eu não consegui.
Ia escrever um texto pros meus irmãos.

Em especial, nesse momento da vida, pro Mano Chester, pra contar que o admiro pacas e que to louca de amores pela coragem dele, que no seu maior estado de menino grande, ele ensina e faz a gente acreditar na vida.
Nas passagens... nos rituais, nos instantes!
Tenho mais simpatia pela coragem dele de aceitar o amor incondicional, de florear os meus olhos com carinho, do que qualquer rapazão rico por aí. O mano me ensina a paciência, aquela mesma que eu esqueci. É, eu esqueci de passar na fila da “Paciência” quando estava pra nascer e vou ter que aprender aqui, na labuta aonde ela fica.
Mas, ele não, parece que ele entendeu que tudo se encaixa, que no lento andar da carruagem as abóboras se ajeitam. Sem medo, ele faz, no silêncio que só ele consegue ter (até mesmo quando era  criança e fazia coisa errada!).
Eu me sinto criança ao seu lado. Admirando o seu existir e tentando aprender!

Do outro mano, fica a lição de liberdade, de desapego, que eu, na função de irmã mais velha também não consegui!!

Vamos seguindo no nosso universo privado tentando religar os pontos, na esperança, quem sabe, de sabermos que somos iguais.

“O mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente!” (ABU)

domingo, 8 de janeiro de 2012

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011



Resistimos porque foi assim que aprendemos...
Que apesar de todos os pesares, nossos pés ainda estão no chão.
Nossa cabeça ainda está sobre o pescoço.
Nosso coração continua batendo.
Nossa mente continua trabalhando.

Tá chegando o fim de 2011, com ele, o ano mais movimentado de minha vida, o ano de maior revolução/evolução...
As últimas notícias do saharauis chegaram por facebook, por e-mail, por skype e por sonhos

Nesse semestre, do outro lado do oceano, só se falou da crise européia, da revolução no mundo árabe.

Aqui no Brasil falamos da Copa do mundo, das primeiras damas.
De Campinas, a dança das cadeiras na prefeitura, secretario que vai, secretario que vem, teatro que não vem, espaços que fecham suas portas, teatro interditado.

Hoje, o jornal da manhã publicou a morte do imperador Norte-coreano Kim Jong-II e do ex-presidente Checo Vaclav Havel, saída das tropas americana do Iraque.
Ontem, as notícias eram a morte de Joãozinho Trinta, Sérgio Brito e Cesaria Évora.
O céu parece cheio ultimamente....

Mas, acho melhor nem contabilizar a quantidade de mortos das guerras, os números podem assustar, afinal é final de ano, tempo de paz, de perdão, de esquecer, de passar por cima de tudo o que foi, como diria a Cassiane Tomilhero:

"É foda mesmo, tem cachorrinho que morre espancado por ignorância e intolerância humana!!!
Pelo mesmo motivo tem crianças morrendo de fome no Brasil, tem outras crianças morrendo na guerra civil em muitos países. Tem gente morrendo por falta de uma política descente na saúde. Tem muro que separa gente, tem campo minado que decepa vidas, tem milhares de mortos no trânsito das cidades, tem criança sem direito à educação porque a verba foi desviada. E pelos mesmos motivos, e ainda por ganância e desejo de poder, tem uma mídia que nos faz esquecer disso tudo, nos tira a capacidade crítica de entender este processo e nos torna um monte de gente passiva e repetidora de frases de efeito, um monte de falsos "engajados". Perdemos muito do senso e da coragem e agora só somos capazes sair em defesa do cachorrinho morto.
Mas afinal, é natal... vamos às compras!!!" 

* a foto é do Muro do Teatro Útero de Vênus, local que ainda resiste em Campinas!

19 de dezembro

Enquanto espero novas notícias, resumo e acrescento uma das noticias recebidas pela Jaima Sahrawi:

Para o povo saharaui, a situação encontrada nesses primeiros dias de dezembro é a mais tensa que já se viu desde 1991. 
O XIII Congresso da Frente Polisário, (15-19 dezembro) discutirá as ações e o futuro da causa saharaui. O argumento é: pegar em armas ou não.

Forçados a viver num campos de refugiados na Argélia desde 1975, devido à ocupação marroquina ilegal do Sahara Ocidental, a população saharaui está enfrentando uma encruzilhada que pode mudar radicalmente o futuro da região. 

Após anos de negligência da luta armada , em 1991 houve o cessar-fogo estabelecido pelo plano de paz da ONU MINURSO (destinadas a alcançar a auto-determinação do Sahara Ocidental no território disputado entre Marrocos e a República Saharaui) - o movimento assumiu como eficaz a luta por meios pacíficos.

O que acontece nesse momento, é que os líderes da Frente Polisário já não são capazes de conter o movimento jovem atual, que frustrado por anos de fracasso e negligência das negociações internacionais, vê na luta armada a única solução para recuperar o controle efetivo do território.

A restauração da luta armada traria consigo consequências significativas em termos de política, social e econômica. Voltar para a violência original seria um distanciamento muito grande da causa saharaui e de muitos ativistas internacionais que até agora têm apoiado esse povo, justamente por sua natureza pacífica. 

A discussão de um tema tão controverso e perigoso não poderia ter vindo em pior hora, quando houve o sequestro de três ativistas humanitários em outubro, num acampamentos de refugiados saharauis na Argélia Rabun (1 italiana – Rossela Urru e 2 espanhóis da Associação Amigos del Pueblo Saharaui), esse fato dramático abre uma nova fase do conflito no Sahara Ocidental.
Um incidente violento tão inesperado, complica o cenário de uma forma irreversível. 
Se acrescentarmos que essa frente radical do povo saharaui não possa esperar para pegar em armas, o resultado é um barril de pólvora pronto para explodir.

A RASD e a Frente Polisario imediatamente após o rapto, começaram a trabalhar com as autoridades responsáveis ​​pela libertação de prisioneiros. 

A restauração da luta armada só beneficiaria o reino marroquino, dando legitimidade à interferência da França e da Espanha como garantia da segurança na região. Esse cenário levaria a um inevitável isolamente da República Saharaui.

Tudo o que resta é esperar e torcer para que o XIII Congresso decida que a "não violência" continue a ser o carro-chefe da luta da Frente Polisário. 
Acreditar ainda na diplomacia para relações internacionais pode ser somente um sonho, cultivado por mim a distância do conflito. 

Poucos dias atrás, 30 de novembro, a ativista Aminetu Haidar foi premiada com o Rene Cassin, prêmio dos Direitos Humanos (edição 2011) por sua luta pessoal em favor do povo saharaui. A luta que, por tantos anos, pagou com sua vida em prisões no Marrocos, bem como com graves danos físicos e com a famosa greve de fome no aeroporto de Lanzarote.


sábado, 26 de novembro de 2011

Quando a saudade é mais forte que o peito, a gente jorra, escorre feito leite quente esquecido no fogo.... borbulha e escorre....

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Um número entre tantos

Acabo de ver "Só não tem quem não quer", curta dirigido por Hidalgo Romero, do qual tive o prazer de acompanhar um pouquinho antes de partir pra Itália em agosto de 2007.

Engraçado, como me tocou ouvir o Hidalgo falando durante o making off.
Claro, tudo nesse vida tem um tempo de maturação para o acontecimento.
Amadurecer para acontecer.
O filme dele tem o mesmo tempo do Exílius....

Vê-lo me faz lembrar e sentir o frescor de toda a esperança, de todo desejo que surgiu em 2007, de conhecer, de perceber e de perseguir o tema sobre os Saharauis. Eu nem sabia aonde habitavam essas pessoas, que vida tinham, como se comportavam, que crença, por que viviam como vivem.
Eu apenas havia conhecido uma garota, de 8 anos, num albergue qualquer no norte da Italia e me apaixonado por seus olhos e por nossa falta de comunicação no nosso total entender. Eu nunca mais ví essa garota, como provavelmente nunca mais verei o Amudi, o Mohamed, a Aziza, a Aicha, nenhum dos meus amigos marrons de cabelos lisos... nenhum dos militares que me ensinaram a agir com amor acima de tudo, amor ao companheiro de guerra e de cotidiano, amor as crianças que serão o futuro do planeta que vivemos e amor a Allah (seja esse quem for!).

Acreditar no fazer artístico como ação civil é o que me impulsiona hoje a experimentar, a degustar um fazer lento, um fazer que vem do pequeno gesto (como diria Veronica Fabrini).
O termo civil pro teatro que estou tateando hoje surgiu na Caulônia, durante o Festival de Teatro Civil, quando apresentei o Exilius - versão 1. Pareceu-me nesse momento mais honesto e mais cabível com meus impulsos, já que não sou filiada a nenhum partido e também não sei discorrer com profundidade sobre ações politicas do passado ou do presente, mas civil serviu-me, um teatro por um ideal, retratar no fazer um instante de nossa sociedade, sejam ela os saharaui, os assentados, os ninguéns de nossa atualizada...

Recortar suas histórias para falar de angústias que são "caras", que estão na minha face e que reconheço como parte de mim mesma.

Será mesmo que "só não tem quem não quer?"
E o que eu, que sou ninguém-alguém quero? Afinal, ao menos um número de Rg ou de passaporte eu sou, já os refugiados do mundo nem isso são verdadeiramente... Tenho um número que me constata como alguém dentre os 7 bilhões... Dentre 7 bilhões... Será que realmente sou? Qual a importância de ser alguém entre tantos? Que diferença faz no querer de tantos?

Mas, se desistirmos agora, alguém ninguém será por nós?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A memória e o sentir.

Dois meses!! Esse é o tempo que me afasta dos saharauis, além de 6.908km com um oceano no meio.

Enquanto o Silas preparava a nova trilha sonora pro espetáculo, era como se eu pudesse tocar as mãos de Aziza de novo. Pudesse sentir o seu cheiro, suas birras de menina, seu estado de alerta e de desejos.

Era como se eu revivesse naquele momento as chamadas de Chrifa de manhã, a tarde e a noite (sim, a noite inteira!). Ou ainda ouvisse o Mohamed “Elika”...

Como um som pode reavivar tudo isso dentro de mim? Como o tempo e o espaço podem ser quebrados, como cristal, somente por escutar uma gravação? Atualização de tudo o que vivi.

Sinto falta do silêncio preenchido, de caminhar na beira da praia com Aicha.

Sinto falta da resistência que tínhamos em seguir em frente, de compartilhar com eles essa resistência, esse facho de vida, que me tomou pelas mãos e me transformou!!
Que me libertou de milhares de medos, de um passado anterior à eles, que agora nem faz mais sentido, que não sobreviveu nem como memória, que nenhuma violência ao meu corpo hoje é representativa, porque esse encontro me mostrou a força acima de tudo, acima do bem e do mal, acima de todos que se aproximam, uma razão pela qual se viver, se celebrar o “existir”.

É preciso celebrar a existência de cada instante, de cada momento, de cada dor, por que pode realmente ser o único.

Quando soube do falecimento de um garoto, adolescente, durante um protesto, chorei feito bebê, sentada sozinha nessa mesma escrivaninha, sabia aonde me metia, mas, agora, eles deixaram de ser um povo, um bloco, tornaram-se pra mim pessoinhas lindas, com nome, com presenças, com memórias, com canções, com celebrações.
Depois que passou o meu susto/apego, cantei, porque era a coisa mais importantes pra ele: morrer pela libertação do Povo Saharaui, tenho certeza que esse menino sabia aonde estava e os riscos que corria e sabia que fazia por um ideal.

Não acredito na guerra como meio, nem como fim. Não acredito na mudança através das armas, mas acredito nos nossos ideais, enfrentar um tanque de guerra, para tornar realidade aquilo que se crê. Eu nunca havia visto ou sentido tão perto a guerra. Não sabia o som e o cheiro que ela tem. Essas pessoas me mostraram a cara delas, as cicatrizes nos seus corpos, a força de crianças criadas na areia, nos assobios, nos escombros e nas cestas básicas que 'voam' da Onu.

Alimentamos os seus corpos, mas não alimentamos a sua libertação.
Um referendo pode colocar um fim nisso tudo, mas quem deseja o fim daquilo que está tão distante de nós?

Algum “efeito borboleta”, alguma pólvora nos atinge aqui do outro lado do oceano?

Sou afetada hoje apenas pelas imagens que me chegam, das noticias que o Mulay e o Deid me mandam.
O conforto da minha casa, de pessoas que falam a minha língua, das roupas e dos cheiros que eu conheço muito bem, protegem-me delas.

Mas, fica em mim um desejo, nesse novo momento, desse recomeçar: de compartilhar com um grupo o existir, de dar as mãos à outras pessoas que acreditam numa mudança através da arte, retomo em mim a utopia de crer num Teatro Civil.

Continuo escutando as crianças que me fizeram acreditar na disposição de seguir acima de tudo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Manifesto da Verônica Fabrini, compartilhado!

Manifesto do teatro pré apocalíptico tem cinco pontos básicos (5 é o número do humano, o pentagrama, os 4 elementos + o quinto que é o amor que todo pode unir):

1. A desaceleração do tempo (devagar, despacio, slow is good!) -
Tempo para pensar, tempo para contemplar, tempo para sentir. Tempo é presença

2. O Re-encantamento do mundo: 
O mundo é muito maiss do que parece. Em uma coisa há muitas outras coisas.
O mundo tem seu duplo encantado. Tudo tem alma.
Se a gente olha tudo de um jeito vagaroso, tudo é sagrado.

3. A potência do pequeno gesto, do "menor" :
Contra o mega: as mega produções, os mega supermercados, as mega plantações, os mega milionários. Voltar as dimensões humanas.
Cercar o pequeno. Crer na potência do "menor". A potência do pequeno gesto: as ações mais simples, que parecem sem importância nas dimensões gigantescas de tudo, são extremamente importantes, fundamentais e geradores. Crer na potência dos pequenos gestos.
Tudo começa de forma simples.

4. Apaixonar-se pela diferença:
É preciso amar a diferença, respeitar, ser curioso com tudo aquilo que é diferente. Diversidade! Viver e amar a diversidade! Não tenho tudo, não sei tudo, em certo sentido, não me basto. O outro sempre me acrescenta, me completa, me desafia.

5. O encontro ao vivo, corpo a corpo: 
Nada é mais potente que o corpo. O corpo somos nós por inteiro. A presença do outro me afeta, me diz coisas. É preciso estar lá, ao vivo. Encontrar-se com as pessoas, com os lugares, com o mundo real, para acreditar que ele existe, que ele está aí, que estamos nele. O encontro ao vivo, a presença ao vivo nos faz voltar a acreditar no mundo, na simplicidade e fragilidade do mundo...essa bola azul, flutuando num espaço infinito, realmente infinito.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Clipe Espetáculo


Processo é sempre processo, mas precisa ser registrado!!! 
Exílius em processo, em reformulação, em eterna revisão!!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Eu ando cheia de inutilidades....
no medo de me enfrentar exilei-me de mim mesma.

domingo, 2 de outubro de 2011

O menino de dentro de mim me veio de volta montado num tanque de guerra.

Ajeitou o canhão e apontou pro coração.

O Menino atingiu o dentro da circulação.

Buraco de Menino não cicatriza, deixa passar brisa enviesada.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Aos além mar...

Fecho os meus olhos para 48 outros pares de olhos se abrirem dentro de mim.

O muro não separa aquilo que não se pode ver, mas existe!! A Alma do mundo ultrapassa limites.

O muro não impediu o sol ardente sobre a pele já rachada da secura do deserto.
Não impediu que conhecessem o mundo, que encantassem outras pessoas, que trouxessem suas alegrias tão verdadeiras e dadas de graça ao universo que era tão pequeno do lado de cá desse oceano.

Minas matam, metralhadoras matam, mas a ignorância e o desprezo também matam. E às vezes matam mais que as armas inventadas pelas mãos humanas.

Não aprendemos a cuidar dos nossos jovens, nem aqui nem lá....

Não aprendemos que a diferença alimenta... eliminamos a diferença...

Esquecemos de dar as mãos, achamos que podemos caminhar sozinhos. Não podemos!! A mudança só acontecerá quando tudo mudar, quando o respeito pelo planeta mudar... respeitar o planeta e os habitantes dela.

Ideal de libertação: de almas, de corações, de religiões, de cores, de costumes, nada nos possui, mas tudo nos contamina!!
Abrir espaço para as boas contaminações, para plantarmos flores e não minas.

Uma homenagem ao ultimo ataque dessa semana no Sahara Ocidental, pelo abraço que não posso dar aos amigo além mar:
http://www.youtube.com/watch?v=rlZF2Vmca9s&feature=player_embedded

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Exílius em Campinas

Bem, dia 23 de Setembro tem Exílius no Vaudavila, no Ponto de Cultura Boa Companhia-Companhia Sarau!!


Para saber mais: www.boacompanhia.art.br

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lugares para onde ir:

Aonde não se seja vista,
aonde a vista se perca de vista,
aonde o ambar cobre a sombra,
aonde o canto adormece com sonho,
aonde o trem só tenha ida e leve sempre pra frente,
aonde o desconhecido tem sabor de caramelo,
aonde o silêncio não vire poço,
aonde Iemanjá não me perca,
aonde você não me esqueça.

Manual de sobrevivência

Estratégias para matar o tempo:
  • Degustar um bom vinho pagando quase nada.
  • Ver os pingos de chuva na janela.
  • Pegar frutinhas no quintal da Sula.
  • Ver a chama das velinhas que ficam na janela.
  • Cigarro na janelinha.
  • Contar o tempo das coisas vividas em horas. Pode ser em minutos se a ansiedade for demais.


    Saldo em horas da pesquisa:
  • Dentro de trens: 72 hs.
  • Dentro de aviões: 34hs.
  • Dentro do Centro esportivo: 100hs
  • Em viagens com as crianças: 288hs
  • Crianças trabalhadas diretamente: 27
  • Novos amigos: 8
  • Reencontro com amigos velhos: 6
  • Na net: 120hs
  • Ansiosa: de perder de vista.
  • Com medo: 26hs
  • Desesperada: 24hs
  • Felicidade absoluta: 202hs
  • Curso: 48hs
  • Lágrimas: 12hs, o Osvaldo vai dizer que é muito mais, mas não é verdade, eu contei.... rs.
  • Incertezas: 1.728hs

Estratégias para matar a saudades:
  • Música que não sai da cabeça, vale canta-la ou ouvi-la cerca de 20 vezes seguida.
  • Lembrancinhas bregas compradas em qualquer lojinha pensando...
  • Mandar um oi na mensagem do celular.
  • Pensamentos livres, que te levam até algum lugar onde se pode censurar.

Saldo fisico:
Nariz trincado,
Polegar esquerdo machucado.
Marca de biquini (Saharauis amam piscina!)
Cabelo super seco.
Dentes manchados: de café, chá saharaui, cigarro e agua estranha que mancha tudo, inclusive roupas!

Saldo financeiro: melhor pular esse item!