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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Aqui estou eu de novo, no mesmo bat local...
Pra mim tudo é igual, a mesma casa, mesmas árvores, mesmo calor...

Igual? E as coisas que aconteceram aqui nesse 1 ano? Pra mim ainda é tudo invisível, fora as fotos que ví:

2mts de neve, terremoto que balançou tudo, crise que balançou ainda mais as estruturas... 
Hoje soube que cerca de 20 empresários se suicidaram depois da crise.
Cada um constrói a guerra que pode né não?

Curiosidades que só acontecem quando procuramos saharauis:
A Chrifa (uma muito famosa, aluninha porreta e agitada do ano passado) não foi encontrada nos acampamentos e não veio pra continuar os tratamentos dentários, muitas hipóteses para seu sumiço: 
1- Ela não se chama Chrifa e veio no lugar de outra criança que por algum motivo não pode vir ano passado.
2- Fugiram dos acampamentos?
3- Melhor não pensar nesse 3.....

Vamos lá, que é só o primeiro dia....

Sempre é dolorido sair da casa/pátria, mas é sempre bom sair de mim mesma  e perceber como somos pequenos.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram."  Rubem Alves

A frase veio da Quesia Botelho, mas cabe direitinho nessa segunda preguiçosa, arrumando malas.... 

Momento de procurar em tudo os "porquês", pra entender porque de novo estou fazendo as malas, porque de novo sinto medo e desejo, porque la vou eu de novo atravessar o oceano pra encontrar a mim mesma. Aonde me perco? Aonde me encontro aqui?

Ontem também apresentamos o "Passagens", encerro esse post apressado com um texto da Hilda Hilst (Obscena Sra D) e o clipe do Exílius, pra relembrar...


" Desamparo, abandono, desde sempre a alma em vaziez, buscava entender de nós todos o destino, isso de vida e morte, esses porquês. Também não compreendo o corpo, essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me olham nesta vila onde moro."



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Partindo, de novo.....

A viagem sempre começa muito antes da saída da minha casa/pátria.

Dessa vez está sendo longa a preparação.
Minha mente está fantasiando o que encontrarei dessa vez. 
Vozes me cercam: Aziza, Mohamed, Aicha, Chrifa.... Saudades de todos os pequenos saharauis, cada criança, cada olhar, cada aprendizado. Tudo ficou guardado com tanto carinho, com tanta memória, que até assusta o regresso.
Não trabalharei como artista-educadora, mas como assistente de produção de um grupo de cinema que está montando um documentário, sobre ajuda humanitária pelo mundo: 'Estamos fazendo o certo?'.

Ô perguntinha danada... será que estou fazendo o certo?
Será que ir ao deserto, escrever sobre, trabalhar com as crianças pode alterar a vida delas? (a minha eu garanto que se transforma a cada conversa!)
O que podemos fazer que seja realmente efetivo para transformar a eterna relação "dominador e dominado"?
Como derrubar o muro que impede ver o outro? O outro tão perto, que vivem em barracos sem saneamento básico e sem água potável e os outros tão longe, que vivem em lonas (jaimas) sem uma única gota de chuva por anos, nas suas fontes tão secas.

Esse blog começou destinado a escrever somente notícias sobre a causa saharaui e a busca desse povo pelo desejo de retorno a casa/pátria, pelo fim do conflito com os marroquinos.
Depois virou uma espécie de diário de bordo, durante as viagens.
Agora ele virou um pouco de tudo, inclusive, o doutorado que estou escrevendo, uma forma também artística de compreender as fronteiras, as reais (como o muro saharaui) e as imaginárias.

Para quem ainda não sabe, o meu doutorado irá descrever processos teatrais que mesclam realidade e ficção, que partem de um fato real para a construção de uma ficcional, como é o caso do espetáculo "Exílius", parto de um assunto verídico, de um conflito armado, político, mas crio uma personagem ficcional, que metaforicamente vive num carrinho de mão repleto de areia, do qual nunca poderá sair. 

Front(eiras): dramaturgias entre a realidade e a ficção.
‘Front’ linha de frente nas batalhas.
‘sem eiras’ as eiras são chãos duros/firmes, utilizadas para secar produtos agrícolas, bem como também cumpriam uma função social, uma vez que proporcionavam um local onde podia decorrer certas cerimônias ou eventos públicos, tais como bailes ou missas. A importância da eira na vida das populações rurais era de tal forma evidente, que deram origem a vários toponímicos, e à expressão "sem eira nem beira", que significa destituído de tudo, numa alusão de como as eiras eram centrais na sua vivência.
‘Fronteiras’, portanto, como território de identidades múltiplas, do qual muitas vezes a linha divisória oficial de separação entre os espaços não corresponde à realidade mestiça e misturada dos que habitam esses locais.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Uma postagem por dia?



Ela prometeu: uma postagem por dia, ela falhou ontem...

Ela tem falhado com algumas coisas ultimamente....

Ela visitou a melancolia... achou engraçado como poderia sobreviver tanto tempo nela??

Ela decidiu escrever em terceira pessoa, pra ver se consegue olhar com calma, se encontra um caminho um pouco mais tranquilo, já que dentro tudo é tempestade.
Queria falar bonito como alguns poetas que conhece, mas não tomou tanto jeito assim com as palavras e com a ordem delas.

Fica aqui pensando, fantasiando dunas:
"Dunas nômades, mutantes, dunas dançantes, que são levadas com o vento, que são transportadas com o vento."

Fica aqui pensando, fantasiando tendas:
"Tendas coloridas, Jaimas coloridas, dançantes que bailam como saias ao vento sob seu amante de areia."

No fundo tudo é fantasia, tudo é ilusão....
Nem a morte é real.

E a memória é atualização daquilo que não é mais, é recriação. 
É aquilo que se deseja que tenha sido.


Strawberry Fields Forever

The Beatles

Let me take you down,
'cause I'm going to Strawberry Fields.
Nothing is real,
And nothing to get hung about.
Strawberry Fields forever.
Living is easy with eyes closed,
Misunderstanding all you see.
It's getting hard to be someone,
But it all works out;
It doesn't matter much to me.
Let me take you down,
'cause I'm going to Strawberry Fields.
Nothing is real,
And nothing to get hung about.
Strawberry Fields forever.
No one I think is in my tree,
I mean, it must be high or low.
That is, you can't, you know, tune in,
But it's all right.
That is, I think it's not too bad.
Strawberry Fields Forever
Let me take you down,
'cause I'm going to Strawberry Fields.
Nothing is real,
And nothing to get hung about.
Strawberry Fields forever.
Living is easy with eyes closed,
Misunderstanding all you see.
It's getting hard to be someone,
But it all works out;
It doesn't matter much to me.
Let me take you down,
'cause I'm going to Strawberry Fields.
Nothing is real,
And nothing to get hung about.
Strawberry Fields forever.
Always know, sometimes think it's me.
But you know, I know when it's a dream.
I think a "No," I mean a "Yes,"
But it's all wrong.
That is, I think I disagree.
Let me take you down,
'cause I'm going to Strawberry Fields.
Nothing is real,
And nothing to get hung about.
Strawberry Fields forever. Strawberry Fields forever,
Strawberry Fields forever, Strawberry Fields forever

terça-feira, 10 de julho de 2012

Por favor regressar, porque está entrando num campo de minas....

Por favor a liberdade será guiada, por favor acalmem-se, o passo deve ser lento, por favor quase 3 mil kilômetros de muro, por favor.... liberdade caça jeito.

Por favor, por favor, por favor, se  interessa, se importa, acessa o link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=DkN_dDG4cPY&feature=related

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Outra vez silêncio

Ela não conseguiu dormir.
Ficou rolando na cama, os pensamentos rolando mais.
Ela perdeu o domínio sobre o pensar.

Procurou no dicionário o sentido de liberdade. Não encontrou eco em si na leitura.

Liberdade pra existir é preciso poetizar, liberdade não tem graça quando é formal.

Então, procurou nos seus escritores textos sobre liberdade, já que ela mesmo perdeu o tempo e o tema:

“Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.” (Manoel de Barros)

“- Ela é tão livre que um dia será presa.
- Presa por quê?
- Por excesso de liberdade.
- Mas essa liberdade é inocente?
- É. Até mesmo ingênua.
- Então por que a prisão?
- Porque a liberdade ofende.“ (Clarice Lispector)

“Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim.” (Também da Clarice)

“que límpido ordenado, que precisões hein? liberdade pra quê? liberdade têm os outros de te montar em cima, de te arrancarem o naco de carne da boca, tens medo de que te tirem o quê se não tens nada?” (Hilda Hilst)

Tanta liberdade dita por aí e ela aqui, parada, buscando alguma que valesse apena ser compartilhada.
Porque é necessário fazer valer apena, é preciso ter força pra enfrentar o exercito oculto.
Ela não encontrou as armas, sentiu-se responsável pelo que não encontrou.

domingo, 8 de julho de 2012

Exilada em si mesma

De repente, ela deixou de se reconhecer...
De repente, ela deixou de se reconhecer...
Transbordar já não bastava mais.
Mas, ela não aprendeu a falar sobre, sempre esbarra nas palavras, nas ações, ela pode até pensar certo, mas não a ensinaram a agir certo. 

Dentro do peito uma dor não reconhecida. 
Disseram que ela tinha crise capital, ela se viu dentro do sistema e sem chance de mudar ou refazer as relações já estabelecidas na sociedade do consumo e do poder: É preciso ter poder para ser... Um poder que pra ser, precisa oprimir o outro, condenar alguém, encontrar um culpado para tudo o que está errado.
E hoje, parece que tudo está errado.

Acordou azeda, desencontrada, sem brilho, buscando nos outros um alivio que nunca vem, que não chega, por que o problema não está no outro, está em si, está no todo.

Pânico de gente, você já teve pânico de gente? E pânico de si mesma, de tudo o que não consegue e não conseguiu fazer?
O mundo acabando, Rio + 20 que se foi, nada muda, as coisas não mudam nem no pequeno, as cobranças continuam as mesmas, as dores as mesma, a guerra não declarada contra alguém.
Alguém precisa ser punido pela cobrança que outro alguém recebe, transfiro a dor...

Na linha de frente das batalhas invisíveis.
Na batalha contra o próprio medo.
Na batalha de dores desconhecidas, de repente se arrepende de tudo, de todas as falsas ações feitas até hoje.

Ela perdeu seu maior receptor, ela não soube lidar com o vazio.
Ela não soube lidar com a fantasia do desconhecido.
Ela tentou fugir de diversas formas, ela errou a maior parte do tempo, não conseguiu se colocar.
Buscou novas formas, essas formas não preencheram o vazio.

Hoje, ela vai chorar....

“chora sem dar por isso”

Ela vai escrever um texto, mesmo que breve, até o retorno da viagem, todos os dias, compromisso com a causa assumida.
Ela está com medo, mas não quer ser tomada por ele, pelo menos não agora, não de novo.

Entre fatos reais e imaginação, ela segue escrevendo.
Leva “Jorge” no peito, pra ver se espanta a dor que não passa.

Todo mundo corre, tudo corre, tudo apavora, ela se apavora.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Comunicato urgente - enviado pela Associação Jaima Saharaui

Il Fronte Polisario e il governo della Repubblica saharawi giudicano infondata e arbitraria la decisione del Regno del Marocco di ritirare la fiducia all'inviato personale del segretario generale dell'ONU, Christopher Ross, nel prosieguo della missione a lui affidata dal Segretario generale e dal Consiglio di Sicurezza per cercare una soluzione giusta e duratura al conflitto del Sahara Occidentale, garantento il diritto del popolo saharawi all'autodeterminazione. 
Questa decisione, tanto grave quanto ingiustificata, è una nuova sfida intollerabile e inammissibile del Marocco alla Comunità Internazionale, al Segretario generale e al Consiglio di Sicurezza, che, nella risoluzione 2044 del 24 aprile 2012, ha considerato lo status quo inaccettabile a ha "riaffermato il suo appoggio all'inviato personale del Segretario generale per il Sahara Occidentale, Christopher Ross, e all'azione che egli porta avanti per facilitare le negoziazioni fra le parti". 
Agendo in questo modo, il Marocco vuole arrogarsi senza vergogna il diritto di dettare al Segretario Generale il contenuto dei suoi rapporti al Consiglio di Sicurezza e decidere la condotta che dovrebbe seguire il suo inviato personale per il Sahara Occidentale. Come vuole, allo stesso modo, fare di tutto per ridurre a zero la credibilità e la neutralità operativa della MINURSO, dichiarata nell'ultimo rapporto del Segretario generale, bloccare il processo di pace e continuare a violare impunemente i diritti umani nei territori saharawi occupati. Il Fronte Polisario e il governo della RASD, rinnovando la volontà delle autorità saharawi a confermare il loro sostegno e la loro cooperazione leale con gli sforzi del Segretario generale e del suo inviato personale, Christopher Ross, per portare a termine il processo di decolonizzazione del Sahara occidentale, lanciano un appello pressante al Consiglio di Sicurezza perché prenda le misure e le decisioni necessarie al fine di salvaguardare e proteggere l'autorità delle Nazioni Unite e la credibilità della sua azione di pace nel Sahara Occidentale, dalle derive e conseguenze della strategia di fuga perseguita dal Marocco. 

 Bir Lahlou, 17 mai 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Relendo o Eduardo Galeano

“Nada se fala do Muro do Marrocos, que há 20 anos perpetua a ocupação marroquina do Saara ocidental. Este muro, minado de ponta a ponta e de ponta a ponta vigiado por milhares de soldados, mede 60 vezes mais do que o Muro de Berlim. (...) Por que será que os olhos se negam a ver o que está diante deles? Será por serem os saarauis uma moeda de troca, oferecida por empresas e países que compram do Marrocos o que o Marrocos vende, embora não seja seu? Há dois anos, Javier Corcuera entrevistou, em um hospital de Bagdá, uma vítima dos bombardeios contra o Iraque. Uma bomba havia destroçado um de seus braços. E ela, que tinha oito anos de idade e havia sofrido 11 cirurgias, disse: "Tomara não tivéssemos petróleo".Talvez o povo do Saara seja culpado porque em seu longo litoral reside o maior tesouro pesqueiro do Oceano Atlântico e porque sob a imensidade de areia, que parece tão vazia, exista a maior reserva mundial de fosfatos e, talvez, também de petróleo, gás e urânio.No Alcorão poderia estar escrito, embora não esteja, esta profecia: as riquezas naturais serão a maldição das pessoas.”

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Julgamento severo

Em El Aiun, essa noite, muitos saharauis foram julgados e condenados a prisão, a lista foi divulgada por Ibrahim:

aziz barai : 3 años
kamal etraieh:3 años
elmahjoub awlad cheikh: 3 años
manolo mohamed: 3 años
hasana eluali: 3 años
anour esadat elhmaid: 3 años
omar eljazari: 3 años
eluali hmayada: 1 año y 6 meses
sidati dlaimi: 1 año
khalid amim: 1 año
barikalah dalbouh: 1 año
mohamed echrif enasri : 1 año
balla ali salem: 1 año
elhaj ehmaida: 1 año
bousaif aamar: 1 año

Como bem disse Alipio Freire: o pau de arara ainda vive, infelizmente!!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cia Auto-retrato Relato sobre a ação da Guarda Civil Metropolitana, em conjunto com a Subprefeitura da Sé

Esse mail recebi de uma companhia amiga, do período da faculdade, pessoas que conheço e acima de tudo acredito. Estão fazendo uma faxina um pouco errada no mundo. Segue pra todos, incluindo o link para o vídeo no youtube.
Que lugar é esse que vivemos sobre o medo do outro? Um morador de rua assusta tanto assim as "otoridade" dessa cidade?  

Nós, integrantes do grupo de teatro Companhia Auto-Retrato, presenciamos às 10hs da manhã do dia 12 de abril de 2012, na Praça da Sé, um conjunto formado por Guardas Civis Metropolitanos (GCM) e funcionários da Subprefeitura da Sé promovendo a apreensão de objetos pessoais de algumas das pessoas que ali estavam: sacos, sacolas, bolsas, roupas. Aparentemente, o critério para a tomada dos objetos, das mãos de seus donos, era o fato destes pertencerem a pessoas que supostamente não têm residência.

Diante da resistência por parte dos donos dos objetos, houve resposta truculenta da GCM, que deu continuidade à ação ao lado de uma equipe uniformizada da Subprefeitura da Sé, munida de luvas e máscaras.

Quando questionado por um dos integrantes da Companhia, o comandante da ação, que se apresentou como Sérgio, alegou que o procedimento fazia parte de um contexto maior de ações coordenadas pela prefeitura, e citou o exemplo da Polícia Militar, que estava encarregada de retirar os objetos guardados nas bocas de lobo, dentro de um processo de “limpeza da cidade”. Reiteramos que testemunhamos objetos sendo retirados sobretudo das mãos das pessoas, e não apenas objetos dispostos no chão ou dentro de bueiros. Nos parece claro que a questão não se refere à limpeza física dos bueiros ou do passeio público, e sim a um processo consciente de gentrificação. À resposta evasiva do comandante, somou-se sua orientação para que procurássemos a Subprefeitura da Sé para esclarecimentos sobre o decreto que estabelece esse procedimento.

Em menos de dez minutos, dois caminhões foram plenamente abastecidos com objetos pessoais. Mesmo sob protestos de moradores de rua e demais munícipes que, de passagem, se mostravam abismados com a natureza e com a violência da ação, os funcionários da Subprefeitura e da GCM não nos informaram com precisão qual seria o destino dos objetos apreendidos. A resposta foi, mais uma vez, evasiva.
Na conversa que tivemos com os Guardas Civis e com pessoas que estavam na praça fomos informados de que essa ação acontece frequentemente, em dias e horários alternados, em vários espaços públicos do centro da cidade de São Pa ulo.

Dois dos integrantes da Companhia, seguindo as orientações da GCM, foram à Subprefeitura da Sé. Conduzidos por diversos setores diferentes, obtiveram a informação de que o responsável pelo procedimento não se encontrava no prédio. Eles chegaram, então, à assessoria jurídica, onde foram informados da existência do Decreto 50448, de 2009, que define como função das Subprefeituras e da GCM garantir a possibilidade de livre circulação no espaço público e fornecer assistência social (esse decreto e suas posteriores alterações estão disponíveis na internet: 

http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=26022009D%20504480000)[1].

O procedimento correto, segundo o assessor jurídico, seria o encaminhamento dos moradores de rua para abrigos e, seus pertences, guardados em embalagens lacradas – cujos contralacres seriam entregues aos proprietários, para que pudessem retirá-los no lugar onde fossem armazenados.

Independentemente da discussão que se pode fazer a respeito do teor do decreto, o que testemunhamos claramente não corresponde ao seu conteúdo. Os objetos pessoais eram simplesmente jogados nos caminhões e não eram dadas, aos seus donos, informações de se e como eles poderiam ser recuperados. A opinião geral de quem acompanhou a ação era de que tudo aquilo seria jogado em algum lixão.

Nós, da Companhia Auto-Retrato, acreditamos que essa ação corresponde a uma grave violação aos direitos dos cidadãos anônimos que estavam na praça, que tiveram seus bens confiscados sem qualquer justificativa nem possibilidade de defesa. Tão inquietante quanto isso é a questão que fica: que critérios serviram de fundamento para a escolha das pessoas que tiveram seus bens confiscados?

Companhia Auto-Retrato

Segue o link para o vídeo:

domingo, 15 de abril de 2012

Ultimas notícias recebidas da Jaima Sahrawi

Indirettamente, Ban Ki-moon accusa il Marocco di spiare l’ONU nel Sahara
di Luca Pistone. Scritto il 14 apr 2012 alle 11:00.

Il segretario generale delle Nazioni Unite, Ban Ki-moon, accusa il Marocco di spiare la Minurso, il contingente delle Nazioni Unite nel Sahara Occidentale, la cui missione si trova a fronteggiare sempre più ostacoli.

Nel rapporto di 28 pagine inviato al Consiglio di Sicurezza dell’ONU -che il 30 aprile prorogherà il mandato dei caschi blu- Ban afferma che “ci sono indizi che fanno pensare che la riservatezza delle comunicazioni tra la sede del Minurso (ad El Aaiún) e New York, risulti compromessa in almeno un’occasione”. Non menziona il Marocco, ma fonti diplomatiche non dubitano che alluda al paese nordafricano.

Ban lamenta inoltre che l’accesso della Minurso alla popolazione locale “è controllato” dal Marocco. “Parallelamente, la presenza della polizia marocchina al di fuori del complesso residenziale (dell’ONU) scoraggia i visitatori ad avvicinarsi alla missione”.

Il contingente, continua il funzionario, “è incapace di esercitare appieno i suoi compiti di controllo, monitoraggio e informazione della pacificazione”. Chiede, tra l’altro, che la missione venga rafforzata con 15 osservatori militari da affiancare ai 230 membri della Minurso.

Nella bozza diffusa il 6 aprile, tra gli obiettivi della Minurso, figurava “l’attuazione del referendum sull’autodeterminazione” che rivendica il Fronte Polisario. L’ultima versione, pubblicata l’11 aprile, menziona solo “l’applicazione delle successive risoluzioni del Consiglio di Sicurezza”. Da notare che la sigla Minurso sta per The United Nations Mission for the Referendum in Western Sahara.

Il rapporto non include un’altra antica aspirazione del Polisario, sostenuta da Amnesty International e Human Rigts Watch: una vigilanza ONU sui diritti umani nel Sahara, come fanno altri contingenti di pace in altre parti del mondo.

Ciononostante, Ahmed Boujari, rappresentante del Polisario all’ONU, definisce il rapporto “un’evoluzione positiva”. Si dice soddisfatto delle recenti dichiarazioni di Ban, secondo cui, la Minurso, per poter adempiere al suo mandato, deve “aver accesso ad informazioni affidabili e credibili”, cosa di cui oggi non dispone. Ottenute tali informazioni, sostiene Ban, si avrebbe “un libero accesso al territorio Saharawi di diplomatici, giornalisti e organizzazioni di diritti umani”.

Da cinque anni Marocco e Polisario intrattengono riunioni informali, alle quali presenziano delegazioni algerine e mauritane. Ban ricorda come questi appuntamenti non abbiano condotto a “progressi reali”.

Il ministro degli Affari Esteri del Marocco non ha ancora commentato il rapporto, di cui conosce il contenuto dagli inizi del mese, facendo parte il suo paese del Consiglio di Sicurezza dell’ONU.

Ban chiede, infine, la liberazione dei cooperanti spagnoli, Enric Gonyalons e Ainhoa Fernández, e dell’italiana Rossella Urru, sequestrati lo scorso ottobre in una zona sotto il controllo del Polisario.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Edgar Morin e nossa pesquisa....

Hoje, fui surpreendida, durante uma reunião do Matula, por esse texto incrível do Edgar Morin, que a Alice Possani (diretora do espetáculo Exílius) trouxe para as companheiras Matulas e para o nosso espetáculo:


"Devemos resistir àquilo que separa, desintegra e distancia, mesmo sabendo que a separação, a desintegração e o distanciamento ganharão a partida. A resistência é o que ajuda estas forças fracas, o que defende o frágil, o perecível, o emergente, o belo, o verdadeiro, a alma. É o que pode abrir uma fenda no Plexiglas da indiferença, para sorrir e consolar os prantos. Sorrir, rir, fazer piada, brincar, acariciar e abraçar; tudo isso é também resistir.
Resistir, resistir em primeiro lugar a nós mesmos, a nossa indiferença e a nossa desatenção, a nossa preguiça e ao nosso desânimo, a nossas vis pulsões e mesquinhas obsessões. Resistir por/para/com amizade, caridade, piedade, compaixão, ternura e bondade. A resistência à crueldade do mundo deve tentar manter a união na separação, tentar unir o que está solto deixando-o livre, suscitar o arrependimento concedendo o perdão.
(...)
A busca do esforço cósmico desesperado que, no ser humano, toma a forma de uma resistência à crueldade do mundo é o que eu chamaria de esperança."

(Edgar Morin)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Cheia de clichês

Acordei cheia de clichês.

Com vontade de escrever depois de tanto tempo!

Quando digo que o Exílius às vezes de exila de mim, estou mentindo.
Continuo exilada em algum lugar aqui dentro, bem dentro, buscando respostas para coisas que não têm respostas, simplesmente por que nossa evolução não nos permite acreditar que pode ser diferente ou pelo menos visualizar algo diferente.

Admiramos lideres distantes, admiramos o dinheiro, mas não admiramos o simbólico, o pequeno. Acreditamos nas grandes potencias mundias, no poder Norte Americanóide, mas não acreditamos em nossa própria mudança, interna, pequena e, também, não deixamos o outro mudar quando damos a ele um título, um caráter, um nome. Tornamos o outro e a nós mesmos seres imutáveis, classificamos e pronto. Como se não fossemos muitas coisas dentro de nós. Como se não fossemos múltiplos, complexos. Fixamos o mundo e a nós mesmos.

Só não compreendo o que veio primeiro: se a fixação do mundo interno ou do mundo externo.

No processo do novo espetáculo Circo K, esse pensamento tem ficado aflorado: talvez a organicidade de uma personagem seja justamente sua multiplicidade, as facetas escondidas. Por que na vida somos assim: amorosos e ciumentos; corajosos e covardes; compreensíveis e intolerantes... tudo depende do fato, do instante, das pessoas que estão ao redor.

Por que então, é tão difícil no cotidiano aceitarmos o diferente? O amor diferente, a decisão diferente?
Por que acreditamos no modelinho de pessoas bem-sucedidas nos seus carrões importados e nas suas casas propaganda de margarina? Ou, de pessoas bem humoradas, fortes? Por que é feio ser fraco?

Por que criamos o mundo do perigo?
O mundo muçulmano, segundo a visão de muitos ocidentais é perigoso, assim como já foram os russos, assim como em breve pode ser o Brasil, já que andam dizendo por aí que estamos nos tornando potência: o BRIC!

O mendigo, morador de rua, sujo é muito perigoso. O usuário de droga é criminoso. O portador de deficiências é incompleto, é ineficiente. O negro não pode possuir cargo alto, de reconhecimento, ou pensamento expressivo diferente da maioria, porque normalmente não tem escolaridade pra isso (exceto se for o presidente dos EUA, mas ele tem alma branca e consciência politica elevada – juro que ouvi isso!). É melhor e mais seguro as mulheres não receberem mais que os homens, é vergonhoso para eles.

Assim continuo no meu clichê de menina nervosinha e revolucionária da classe média, branquela querendo acreditar numa possível visão da diferença.

É acho que eu acordei cheia de clichês.

Na verdade, eu tinha acordado com vontade de fazer uma declaração de amor, mas eu não consegui.
Ia escrever um texto pros meus irmãos.

Em especial, nesse momento da vida, pro Mano Chester, pra contar que o admiro pacas e que to louca de amores pela coragem dele, que no seu maior estado de menino grande, ele ensina e faz a gente acreditar na vida.
Nas passagens... nos rituais, nos instantes!
Tenho mais simpatia pela coragem dele de aceitar o amor incondicional, de florear os meus olhos com carinho, do que qualquer rapazão rico por aí. O mano me ensina a paciência, aquela mesma que eu esqueci. É, eu esqueci de passar na fila da “Paciência” quando estava pra nascer e vou ter que aprender aqui, na labuta aonde ela fica.
Mas, ele não, parece que ele entendeu que tudo se encaixa, que no lento andar da carruagem as abóboras se ajeitam. Sem medo, ele faz, no silêncio que só ele consegue ter (até mesmo quando era  criança e fazia coisa errada!).
Eu me sinto criança ao seu lado. Admirando o seu existir e tentando aprender!

Do outro mano, fica a lição de liberdade, de desapego, que eu, na função de irmã mais velha também não consegui!!

Vamos seguindo no nosso universo privado tentando religar os pontos, na esperança, quem sabe, de sabermos que somos iguais.

“O mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente!” (ABU)

domingo, 8 de janeiro de 2012

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011



Resistimos porque foi assim que aprendemos...
Que apesar de todos os pesares, nossos pés ainda estão no chão.
Nossa cabeça ainda está sobre o pescoço.
Nosso coração continua batendo.
Nossa mente continua trabalhando.

Tá chegando o fim de 2011, com ele, o ano mais movimentado de minha vida, o ano de maior revolução/evolução...
As últimas notícias do saharauis chegaram por facebook, por e-mail, por skype e por sonhos

Nesse semestre, do outro lado do oceano, só se falou da crise européia, da revolução no mundo árabe.

Aqui no Brasil falamos da Copa do mundo, das primeiras damas.
De Campinas, a dança das cadeiras na prefeitura, secretario que vai, secretario que vem, teatro que não vem, espaços que fecham suas portas, teatro interditado.

Hoje, o jornal da manhã publicou a morte do imperador Norte-coreano Kim Jong-II e do ex-presidente Checo Vaclav Havel, saída das tropas americana do Iraque.
Ontem, as notícias eram a morte de Joãozinho Trinta, Sérgio Brito e Cesaria Évora.
O céu parece cheio ultimamente....

Mas, acho melhor nem contabilizar a quantidade de mortos das guerras, os números podem assustar, afinal é final de ano, tempo de paz, de perdão, de esquecer, de passar por cima de tudo o que foi, como diria a Cassiane Tomilhero:

"É foda mesmo, tem cachorrinho que morre espancado por ignorância e intolerância humana!!!
Pelo mesmo motivo tem crianças morrendo de fome no Brasil, tem outras crianças morrendo na guerra civil em muitos países. Tem gente morrendo por falta de uma política descente na saúde. Tem muro que separa gente, tem campo minado que decepa vidas, tem milhares de mortos no trânsito das cidades, tem criança sem direito à educação porque a verba foi desviada. E pelos mesmos motivos, e ainda por ganância e desejo de poder, tem uma mídia que nos faz esquecer disso tudo, nos tira a capacidade crítica de entender este processo e nos torna um monte de gente passiva e repetidora de frases de efeito, um monte de falsos "engajados". Perdemos muito do senso e da coragem e agora só somos capazes sair em defesa do cachorrinho morto.
Mas afinal, é natal... vamos às compras!!!" 

* a foto é do Muro do Teatro Útero de Vênus, local que ainda resiste em Campinas!

19 de dezembro

Enquanto espero novas notícias, resumo e acrescento uma das noticias recebidas pela Jaima Sahrawi:

Para o povo saharaui, a situação encontrada nesses primeiros dias de dezembro é a mais tensa que já se viu desde 1991. 
O XIII Congresso da Frente Polisário, (15-19 dezembro) discutirá as ações e o futuro da causa saharaui. O argumento é: pegar em armas ou não.

Forçados a viver num campos de refugiados na Argélia desde 1975, devido à ocupação marroquina ilegal do Sahara Ocidental, a população saharaui está enfrentando uma encruzilhada que pode mudar radicalmente o futuro da região. 

Após anos de negligência da luta armada , em 1991 houve o cessar-fogo estabelecido pelo plano de paz da ONU MINURSO (destinadas a alcançar a auto-determinação do Sahara Ocidental no território disputado entre Marrocos e a República Saharaui) - o movimento assumiu como eficaz a luta por meios pacíficos.

O que acontece nesse momento, é que os líderes da Frente Polisário já não são capazes de conter o movimento jovem atual, que frustrado por anos de fracasso e negligência das negociações internacionais, vê na luta armada a única solução para recuperar o controle efetivo do território.

A restauração da luta armada traria consigo consequências significativas em termos de política, social e econômica. Voltar para a violência original seria um distanciamento muito grande da causa saharaui e de muitos ativistas internacionais que até agora têm apoiado esse povo, justamente por sua natureza pacífica. 

A discussão de um tema tão controverso e perigoso não poderia ter vindo em pior hora, quando houve o sequestro de três ativistas humanitários em outubro, num acampamentos de refugiados saharauis na Argélia Rabun (1 italiana – Rossela Urru e 2 espanhóis da Associação Amigos del Pueblo Saharaui), esse fato dramático abre uma nova fase do conflito no Sahara Ocidental.
Um incidente violento tão inesperado, complica o cenário de uma forma irreversível. 
Se acrescentarmos que essa frente radical do povo saharaui não possa esperar para pegar em armas, o resultado é um barril de pólvora pronto para explodir.

A RASD e a Frente Polisario imediatamente após o rapto, começaram a trabalhar com as autoridades responsáveis ​​pela libertação de prisioneiros. 

A restauração da luta armada só beneficiaria o reino marroquino, dando legitimidade à interferência da França e da Espanha como garantia da segurança na região. Esse cenário levaria a um inevitável isolamente da República Saharaui.

Tudo o que resta é esperar e torcer para que o XIII Congresso decida que a "não violência" continue a ser o carro-chefe da luta da Frente Polisário. 
Acreditar ainda na diplomacia para relações internacionais pode ser somente um sonho, cultivado por mim a distância do conflito. 

Poucos dias atrás, 30 de novembro, a ativista Aminetu Haidar foi premiada com o Rene Cassin, prêmio dos Direitos Humanos (edição 2011) por sua luta pessoal em favor do povo saharaui. A luta que, por tantos anos, pagou com sua vida em prisões no Marrocos, bem como com graves danos físicos e com a famosa greve de fome no aeroporto de Lanzarote.


sábado, 26 de novembro de 2011

Quando a saudade é mais forte que o peito, a gente jorra, escorre feito leite quente esquecido no fogo.... borbulha e escorre....

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Um número entre tantos

Acabo de ver "Só não tem quem não quer", curta dirigido por Hidalgo Romero, do qual tive o prazer de acompanhar um pouquinho antes de partir pra Itália em agosto de 2007.

Engraçado, como me tocou ouvir o Hidalgo falando durante o making off.
Claro, tudo nesse vida tem um tempo de maturação para o acontecimento.
Amadurecer para acontecer.
O filme dele tem o mesmo tempo do Exílius....

Vê-lo me faz lembrar e sentir o frescor de toda a esperança, de todo desejo que surgiu em 2007, de conhecer, de perceber e de perseguir o tema sobre os Saharauis. Eu nem sabia aonde habitavam essas pessoas, que vida tinham, como se comportavam, que crença, por que viviam como vivem.
Eu apenas havia conhecido uma garota, de 8 anos, num albergue qualquer no norte da Italia e me apaixonado por seus olhos e por nossa falta de comunicação no nosso total entender. Eu nunca mais ví essa garota, como provavelmente nunca mais verei o Amudi, o Mohamed, a Aziza, a Aicha, nenhum dos meus amigos marrons de cabelos lisos... nenhum dos militares que me ensinaram a agir com amor acima de tudo, amor ao companheiro de guerra e de cotidiano, amor as crianças que serão o futuro do planeta que vivemos e amor a Allah (seja esse quem for!).

Acreditar no fazer artístico como ação civil é o que me impulsiona hoje a experimentar, a degustar um fazer lento, um fazer que vem do pequeno gesto (como diria Veronica Fabrini).
O termo civil pro teatro que estou tateando hoje surgiu na Caulônia, durante o Festival de Teatro Civil, quando apresentei o Exilius - versão 1. Pareceu-me nesse momento mais honesto e mais cabível com meus impulsos, já que não sou filiada a nenhum partido e também não sei discorrer com profundidade sobre ações politicas do passado ou do presente, mas civil serviu-me, um teatro por um ideal, retratar no fazer um instante de nossa sociedade, sejam ela os saharaui, os assentados, os ninguéns de nossa atualizada...

Recortar suas histórias para falar de angústias que são "caras", que estão na minha face e que reconheço como parte de mim mesma.

Será mesmo que "só não tem quem não quer?"
E o que eu, que sou ninguém-alguém quero? Afinal, ao menos um número de Rg ou de passaporte eu sou, já os refugiados do mundo nem isso são verdadeiramente... Tenho um número que me constata como alguém dentre os 7 bilhões... Dentre 7 bilhões... Será que realmente sou? Qual a importância de ser alguém entre tantos? Que diferença faz no querer de tantos?

Mas, se desistirmos agora, alguém ninguém será por nós?