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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A descrença que nos cerca

Período eleitoral, maravilhoso momento, em que ainda os santinhos dos vereadores voam pelas ruas, levados pelo incansável vento dessa cidade (que venta!) chamada Campinas.

As miudezas do dia a dia estão se tornando enfadonhas, incansáveis, estranhamente incontroláveis...
Ontem no jornal da manhã um belo repórter entrevistou um garoto de 13 anos, que estava em situação de abrigamento por uso de crack e, de forma bem pouco sutil, conseguiu retirar dessa criança que ela deseja sair das drogas, trabalhar, ter uma 'vida normal'. Andando na rua esses dias está bem fácil encontrar cartazes de políticos com um carimbo de "Ficha limpa", como se isso fosse um plus, um algo mais para votar no fulano. Outra imagem: o mesmo jornal de ontem, hj mostrou uma bela ministra caindo do salto e, a ancora do jornal dizendo que "constrangimento!".
A queda da ministra constrange mais que o pré-adolescente, vitima de uma sociedade desigual e criminosa como a nossa?
O garoto que está na rua é o ultimo degrau de uma escala de crimes. Condenar o usuário, é tapar os olhos para o real crime, chamado pobreza, chamado desigualdade, eu nunca ví um senhor repórter da globo entrar numa dessas grandes festas realizadas pela alta socialite carioca e perguntar para a bela dama, se ela não deseja deixar as drogas, se ela sabe que aquilo faz mal. Por que para alguns o uso é status e para outro é crime? 
Eu sei, esse texto é raso, não tem nenhum fundamento, não tem lógica, não tem dados, não tem nada, somente um achismo.
Acho mais constrangedor ter que colocar um carimbo de "Ficha Limpa" no cartaz. Acho mais constrangedor ver um menino vitima de nosso pensamento/sociedade. Acho mais constrangedor  eu sentada aqui no meu apêzinho vendo o mundo passar e vendo tudo isso e pensar na possibilidade de aceitar isso como 'normal', aceitar o meu medo de um mundo tão estranho e cruel como estamos vivendo. Eu tenho vergonha da paralisia que o medo me causa. 

Hoje, recebi por e-mail do Bruno Pregnolato, um amigo muito querido o seguinte texto:
16/10/2012 | Publicado por Renato Rovai em Geral - (1 comentário)
Acabo de receber por email o link do vídeo que segue abaixo. É uma aula sobre a o livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr. Estive na histórica entrevista do lançamento, de onde boas partes das falas do autor foram extraídas. E li o livro duas vezes. Mas quero dizer pra vocês, o vídeo me ajuda a entender e explicar melhor o que aconteceu naquele período.
Ele é relativamente longo para internet, tem doze minutos, mas deveria se tornar material didático para aulas de história do Brasil. Faz o debate sobre um período importante do nosso tempo e revela de maneira muito direta e, com base em documentos, como o patrimônio público nacional foi dilapidado.
Evidente que tem cunho eleitoral, provavelmente foi feito por um grupo que quer derrotar Serra. O que aliás, cá pra nós, é absolutamente compreensível. Mas é trabalho que merece ser guardado para além dessa disputa paulistana. Ser visto, replicado e discutido. Afinal, o país perdeu muito com aquela ação.
A Privataria Tucana também pode ser entendida no livro O Brasil Privatizado, do saudoso Aloysio Biondi. De alguma forma este vídeo completa a coleção sobre o tema.
Veja o filme no link abaixo:




Que constrangedor!! Que lugar é esse aonde estamos morando? Que Brasil é esse que estamos construindo? 
Mas, tudo bem, vamos continuar enchendo nossas cadeias de pobres, relativizando os 'crimes'.

Achei isso também pela internet, vai de curiosidade:
LAVAGEM DE DINHEIRO: A expressão inglesa money laundering resulta do fato que o dinheiro adquirido ilegalmente é sujo devendo ser lavado ou branqueado . Uma origem lendária leva a Al Capone que teria comprado em 1928, em Chicago, uma cadeia de lavanderias (laundromats), da marca Sanitary Cleaning Shops. Esta fachada legal ter-lhe-ia permitido fazer depósitos bancários de notas de baixo valor nominal, habituais nas vendas de lavanderia - mas resultantes afinal do comércio de bebidas alcoólicas interdito pela Lei Seca e de outras atividades criminosas como a exploração da prostituição, do jogo e a extorsão.

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